*Por Jeff Alves
Como um Artesão, você é capaz de ser gentil e tolerante consigo mesmo depois de se deparar com suas falhas e erros enquanto vive/labora?
Você entende que os erros são necessários para a Maestria do Ofício?
Como um Artesão, você corrige os seus erros e aprende com eles?
Como um Artesão, você tenta prevenir os seus erros?
Como um Artesão, você “mede duas vezes para lapidar uma única vez”?
Você intuitivamente entende que os erros e imperfeições são perfeitamente naturais?
Você intuitivamente entende que os erros e imperfeições feitos no passado não podem ser mudados e, já que o futuro ainda está em nosso poder, as lições do passado podem ser aplicadas no presente?
Você intuitivamente entende que os erros e imperfeições ajudam a definir o caráter do seu trabalho individual e do Ofício de Artesão em si mesmo?
Como você classificaria a sua capacidade de encarar os Desafios, o fracasso e as críticas construtivas/úteis?
Como você pode melhorar a sua capacidade de encarar os Desafios, o fracasso e as críticas construtivas/úteis?
Como um artesão, você exercita a Gratidão pela oportunidade de aprender, crescer, melhorar e aplicar as correções e melhorias necessárias para a vida/Obra depois de cometer um erro?
P.S: Texto da página “Cathedral Building – Masonry” traduzido e adaptado. Craftsman é Artesão, mas na Maçonaria Inglesa se refere ao Maçom. Embora o texto se refira ao trabalho de um Maçom, preferi traduzir como Artesão para que todos possam exercitar esta reflexão individual. Que tal exercitar esta reflexão?
Templo:Rua José Bonifácio 490 - Presidente Venceslau (SP) - Sessões: às 1ª e 3ª terças-feiras, às 20:00 horas Email: arlslojamaconica05deagosto@gmail.com
sábado, 12 de novembro de 2016
Maçonaria
O que é a Maçonaria?
- A Maçonaria é uma instituição essencialmente filosófica, filantrópica, educativa e progressista.
Por que é Filosófica?
-É filosófica porque em seus atos e cerimônias ela trata da essência, propriedades e efeitos das causas naturais. Investiga as leis da natureza e relaciona as primeiras bases da moral e da ética pura.
-É filosófica porque em seus atos e cerimônias ela trata da essência, propriedades e efeitos das causas naturais. Investiga as leis da natureza e relaciona as primeiras bases da moral e da ética pura.
Por que é Filantrópica?
- É filantrópica porque não está constituída para obter lucro pessoal de nenhuma classe, senão, pelo contrário, suas arrecadações e seus recursos se destinam ao bem-estar do gênero humano, sem distinção de nacionalidade, sexo, religião ou raça. Procura conseguir a felicidade dos homens por meio da elevação espiritual e pela tranqüilidade da consciência.
- É filantrópica porque não está constituída para obter lucro pessoal de nenhuma classe, senão, pelo contrário, suas arrecadações e seus recursos se destinam ao bem-estar do gênero humano, sem distinção de nacionalidade, sexo, religião ou raça. Procura conseguir a felicidade dos homens por meio da elevação espiritual e pela tranqüilidade da consciência.
Por que é Progressista?
- É progressista porque partindo do princípio da imortalidade e da crença em um princípio criador regular e infinito, não se aferra a dogmas, prevenções ou superstições. E não põe nenhum obstáculo ao esforço dos seres humanos na busca da verdade, nem reconhece outro limite nessa busca senão o da razão com base na ciência.
- É progressista porque partindo do princípio da imortalidade e da crença em um princípio criador regular e infinito, não se aferra a dogmas, prevenções ou superstições. E não põe nenhum obstáculo ao esforço dos seres humanos na busca da verdade, nem reconhece outro limite nessa busca senão o da razão com base na ciência.
Quais são os seus princípios?
- A liberdade dos indivíduos e dos grupos humanos, sejam eles instituições, raças, nações; a igualdade de direitos e obrigações dos seres e grupos sem distinguir a religião, a raça ou nacionalidade; a fraternidade de todos os homens, já que somos todos filhos do mesmo CRIADOR e, portanto, humanos e como conseqüência, a fraternidade entre todas as nações.
- A liberdade dos indivíduos e dos grupos humanos, sejam eles instituições, raças, nações; a igualdade de direitos e obrigações dos seres e grupos sem distinguir a religião, a raça ou nacionalidade; a fraternidade de todos os homens, já que somos todos filhos do mesmo CRIADOR e, portanto, humanos e como conseqüência, a fraternidade entre todas as nações.
Qual o seu lema?
- Ciência - Justiça - Trabalho: Ciência, para esclarecer os espíritos e elevá-los; Justiça, para equilibrar e enaltecer as .relações humanas; e Trabalho por meio do qual os homens se dignificam e se tornam independentes economicamente. Em uma palavra, a Maçonaria trabalha para o melhoramento intelectual, moral e social da humanidade.
- Ciência - Justiça - Trabalho: Ciência, para esclarecer os espíritos e elevá-los; Justiça, para equilibrar e enaltecer as .relações humanas; e Trabalho por meio do qual os homens se dignificam e se tornam independentes economicamente. Em uma palavra, a Maçonaria trabalha para o melhoramento intelectual, moral e social da humanidade.
Qual é seu objetivo?
- Seu objetivo é a investigação da verdade, o exame da moral e a prática das virtudes.
- Seu objetivo é a investigação da verdade, o exame da moral e a prática das virtudes.
O que entende a Maçonaria por moral?
- Moral é para a Maçonaria uma ciência com base no entendimento humano. É a lei natural e universal que rege todos os seres racionais e livres. É a demonstração científica da consciência. E essa maravilhosa ciência nos ensina nossos deveres e a razão do uso dos nossos direitos. Ao penetrar a moral no mais profundo da nossa alma sentimos o triunfo da verdade e da justiça.
- Moral é para a Maçonaria uma ciência com base no entendimento humano. É a lei natural e universal que rege todos os seres racionais e livres. É a demonstração científica da consciência. E essa maravilhosa ciência nos ensina nossos deveres e a razão do uso dos nossos direitos. Ao penetrar a moral no mais profundo da nossa alma sentimos o triunfo da verdade e da justiça.
O que entende a Maçonaria por virtude?
- A Maçonaria entende que virtude é a força de fazer o bem em seu mais amplo sentido; é o cumprimento de nossos deveres para com a sociedade e para com a nossa família sem interesse pessoal. Em resumo: a virtude não retrocede nem ante o sacrifício e nem mesmo ante a morte, quando se trata do cumprimento do dever.
- A Maçonaria entende que virtude é a força de fazer o bem em seu mais amplo sentido; é o cumprimento de nossos deveres para com a sociedade e para com a nossa família sem interesse pessoal. Em resumo: a virtude não retrocede nem ante o sacrifício e nem mesmo ante a morte, quando se trata do cumprimento do dever.
O que entende a Maçonaria por dever?
- A Maçonaria entende por dever o respeito e os direitos dos indivíduos e da sociedade. Porém não basta respeitar a propriedade apenas, mas, também, devemos proteger e servir aos nossos semelhantes. A Maçonaria resume o dever do homem assim: "Respeito a Deus, amor ao próximo e dedicação à família". Em verdade, essa é a maior síntese da fraternidade universal.
- A Maçonaria entende por dever o respeito e os direitos dos indivíduos e da sociedade. Porém não basta respeitar a propriedade apenas, mas, também, devemos proteger e servir aos nossos semelhantes. A Maçonaria resume o dever do homem assim: "Respeito a Deus, amor ao próximo e dedicação à família". Em verdade, essa é a maior síntese da fraternidade universal.
A Maçonaria é religiosa?
- Sim, é religiosa, porque reconhece a existência de um único princípio criador, regulador, absoluto, supremo e infinito ao qual se dá, o nome de GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO, porque é uma entidade espiritualista em contra posição ao predomínio do materialismo. Estes fatores que são essenciais e indispensáveis para a interpretação verdadeiramente religiosa e lógica do UNIVERSO, formam a base de sustentação e as grandes diretrizes de toda ideologia e atividade maçônicas.
- Sim, é religiosa, porque reconhece a existência de um único princípio criador, regulador, absoluto, supremo e infinito ao qual se dá, o nome de GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO, porque é uma entidade espiritualista em contra posição ao predomínio do materialismo. Estes fatores que são essenciais e indispensáveis para a interpretação verdadeiramente religiosa e lógica do UNIVERSO, formam a base de sustentação e as grandes diretrizes de toda ideologia e atividade maçônicas.
A Maçonaria é uma religião?
- Não. A Maçonaria não é uma religião. É uma sociedade que tem por objetivo unir os homens entre si. União recíproca, no sentido mais amplo e elevado do termo. E nesse seu esforço de união dos homens, admite em seu seio pessoas de todos os credos religiosos sem nenhuma distinção.
- Não. A Maçonaria não é uma religião. É uma sociedade que tem por objetivo unir os homens entre si. União recíproca, no sentido mais amplo e elevado do termo. E nesse seu esforço de união dos homens, admite em seu seio pessoas de todos os credos religiosos sem nenhuma distinção.
Para ser Maçom é necessário renunciar à religião a qual se pertence?
- Não, porque a Maçonaria abriga em seu seio homens de qualquer religião, desde que acreditem em um só Criador, o GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO, que é Deus. Geralmente existe essa crença entre os católicos, mas ilustres prelados tem pertencido à Ordem Maçônica; entre outros, o Cura Hidalgo, Paladino da Liberdade Mexicana; o Padre Calvo, fundador da Maçonaria na América Central; o Arcebispo da Venezuela, Don Ramon Ignácio Mendez; Padre Diogo Antonio Feijó; Cônegos Luiz Vieira, José da Silva de Oliveira Rolin, da Inconfidência Mineira, Frei Miguelino, Frei Caneca e muitos outros.
- Não, porque a Maçonaria abriga em seu seio homens de qualquer religião, desde que acreditem em um só Criador, o GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO, que é Deus. Geralmente existe essa crença entre os católicos, mas ilustres prelados tem pertencido à Ordem Maçônica; entre outros, o Cura Hidalgo, Paladino da Liberdade Mexicana; o Padre Calvo, fundador da Maçonaria na América Central; o Arcebispo da Venezuela, Don Ramon Ignácio Mendez; Padre Diogo Antonio Feijó; Cônegos Luiz Vieira, José da Silva de Oliveira Rolin, da Inconfidência Mineira, Frei Miguelino, Frei Caneca e muitos outros.
Quais outros homens ilustres que foram Maçons?
- Filósofos como Voltaire, Goethe e Lessing; Músicos como Beethoven, Haydn e Mozart; Militares como Frederico o Grande, Napoleão e Garibaldi; Poetas como Byron, Lamartine e Hugo; Escritores como Castellar, Mazzini e Espling.
- Filósofos como Voltaire, Goethe e Lessing; Músicos como Beethoven, Haydn e Mozart; Militares como Frederico o Grande, Napoleão e Garibaldi; Poetas como Byron, Lamartine e Hugo; Escritores como Castellar, Mazzini e Espling.
Somente na Europa houve Maçons ilustres?
- Não. Também na América existiram. Os libertadores da América foram todos maçons. Washington nos Estados Unidos; Miranda, o Padre da Liberdade sul-americana; San Martin e O`Higgins, na Argentina; Bolivar, no Norte da América do Sul; Marti, em Cuba; Benito Juarez, no México e o Imperador Dom Pedro I no Brasil.
- Não. Também na América existiram. Os libertadores da América foram todos maçons. Washington nos Estados Unidos; Miranda, o Padre da Liberdade sul-americana; San Martin e O`Higgins, na Argentina; Bolivar, no Norte da América do Sul; Marti, em Cuba; Benito Juarez, no México e o Imperador Dom Pedro I no Brasil.
Quais os nomes de destaque no Brasil que foram Maçons?
-D. Pedro I, José Bonifácio, Gonçalves Lêdo, Luis Alves de Lima e Silva (Duque de Caxias), Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, Prudente de Morais, Campos Salles, Rodrigues Alves, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Wenceslau Braz, Washington Luiz, Rui Barbosa e muitos outros.
-D. Pedro I, José Bonifácio, Gonçalves Lêdo, Luis Alves de Lima e Silva (Duque de Caxias), Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, Prudente de Morais, Campos Salles, Rodrigues Alves, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Wenceslau Braz, Washington Luiz, Rui Barbosa e muitos outros.
Então a Maçonaria é tolerante?
- A Maçonaria é eminentemente tolerante e exige dos seus. membros a mais ampla tolerância. Respeita as. Opiniões políticas e crenças religiosas de todos os homens, reconhecendo que todas as religiões e ideais políticos são igualmente respeitáveis e rechaça toda pretensão de outorgar situações de privilégio a qualquer uma delas em particular.
- A Maçonaria é eminentemente tolerante e exige dos seus. membros a mais ampla tolerância. Respeita as. Opiniões políticas e crenças religiosas de todos os homens, reconhecendo que todas as religiões e ideais políticos são igualmente respeitáveis e rechaça toda pretensão de outorgar situações de privilégio a qualquer uma delas em particular.
O que a Maçonaria combate?
- A ignorância, a superstição, o fanatismo. O orgulho, a intemperança, o vício, a discórdia, a dominação e os privilégios.
- A ignorância, a superstição, o fanatismo. O orgulho, a intemperança, o vício, a discórdia, a dominação e os privilégios.
A Maçonaria é uma sociedade secreta?
- Não, pela simples razão de que sua existência é amplamente conhecida. As autoridades de vários países lhe concedem personalidade jurídica. Seus fins são amplamente difundidos em dicionários, enciclopédias, livros de história etc. O único segredo que existe e não se conhece senão por meio do ingresso na instituição, são os meios para se reconhecer os maçons entre si, em qualquer parte do mundo e o modo de interpretar seus símbolos e os ensinamentos neles contidos.
- Não, pela simples razão de que sua existência é amplamente conhecida. As autoridades de vários países lhe concedem personalidade jurídica. Seus fins são amplamente difundidos em dicionários, enciclopédias, livros de história etc. O único segredo que existe e não se conhece senão por meio do ingresso na instituição, são os meios para se reconhecer os maçons entre si, em qualquer parte do mundo e o modo de interpretar seus símbolos e os ensinamentos neles contidos.
Quais as principais obras da Maçonaria no Brasil?
- A Independência, a Abolição e a República. Isto para citar somente os três maiores feitos da nossa história, em que os maçons tomaram parte ativa.
- A Independência, a Abolição e a República. Isto para citar somente os três maiores feitos da nossa história, em que os maçons tomaram parte ativa.
Quais as condições individuais indispensáveis para poder pertencer a Maçonaria?
- Crer na existência de um princípio Criador; ser homem livre e de bons costumes; ser consciente de seus deveres para com a Pátria, seus semelhantes e consigo mesmo; ter uma profissão ou oficio lícito e honrado que lhe permita prover suas necessidades pessoais e de sua família e a sustentação das obras da Instituição.
- Crer na existência de um princípio Criador; ser homem livre e de bons costumes; ser consciente de seus deveres para com a Pátria, seus semelhantes e consigo mesmo; ter uma profissão ou oficio lícito e honrado que lhe permita prover suas necessidades pessoais e de sua família e a sustentação das obras da Instituição.
O que se exige dos Maçons?
- Em princípio, tudo aquilo que se exige ao ingresso em qualquer outra instituição: respeito aos seus estatutos, regulamentos e acatamento às resoluções da maioria, tomadas de acordo com os princípios que as regem; amor à Pátria; respeito aos governos legalmente constituídos; acatamento às leis do país em que viva, etc. E em particular: a guarda do sigilo dos rituais maçônicos; conduta correta e digna dentro e fora da Maçonaria; a dedicação de parte do seu tempo para assistir às reuniões maçônicas; a prática da moral, da igualdade e da solidariedade humana e da justiça em toda a sua plenitude. Ademais, se proíbe terminantemente dentro da instituição, as discussões políticas e religiosas, porque prefere uma ampla base de entendimento entre os homens afim de evitar que sejam divididos por pequenas questões da vida civil.
- Em princípio, tudo aquilo que se exige ao ingresso em qualquer outra instituição: respeito aos seus estatutos, regulamentos e acatamento às resoluções da maioria, tomadas de acordo com os princípios que as regem; amor à Pátria; respeito aos governos legalmente constituídos; acatamento às leis do país em que viva, etc. E em particular: a guarda do sigilo dos rituais maçônicos; conduta correta e digna dentro e fora da Maçonaria; a dedicação de parte do seu tempo para assistir às reuniões maçônicas; a prática da moral, da igualdade e da solidariedade humana e da justiça em toda a sua plenitude. Ademais, se proíbe terminantemente dentro da instituição, as discussões políticas e religiosas, porque prefere uma ampla base de entendimento entre os homens afim de evitar que sejam divididos por pequenas questões da vida civil.
O que é um Templo Maçônico?
- É um lugar onde se reúnem os maçons periodicamente para praticar as cerimônias ritualísticas que lhes são permitidas, em um ambiente fraternal e propício para concentrar sua atenção e esforços para melhorar seu caráter, sua vida espiritual e desenvolver seu sentimento de responsabilidade, fazendo-lhes meditar tranqüilamente sobre a missão do homem na vida, recordando-lhes constantemente os valores eternos cujo cultivo lhes possibilitará acercar-se da verdade.
- É um lugar onde se reúnem os maçons periodicamente para praticar as cerimônias ritualísticas que lhes são permitidas, em um ambiente fraternal e propício para concentrar sua atenção e esforços para melhorar seu caráter, sua vida espiritual e desenvolver seu sentimento de responsabilidade, fazendo-lhes meditar tranqüilamente sobre a missão do homem na vida, recordando-lhes constantemente os valores eternos cujo cultivo lhes possibilitará acercar-se da verdade.
O que se obtêm sendo Maçom?
- A possibilidade de aperfeiçoar-se, de instruir-se, de disciplinar-se, de conviver com pessoas que, por suas palavras, por suas obras, podem constituir-se em exemplos; encontrar afetos fraternais em qualquer lugar em que se esteja dentro ou fora do país. Finalmente, a enorme satisfação de haver contribuído, mesmo em pequena parcela, para a obra moral e grandiosa levada a efeito pelos homens. A Maçonaria não considera possível o progresso senão na base de respeito à personalidade, à justiça social e a mais estreita solidariedade entre os homens. Ostenta o seu lema "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" com a abstenção das bandeiras políticas e religiosas. O segredo maçônico, que de má fé e caluniosamente tem se servido os seus inimigos para fazê-la suspeita entre os espíritos cândidos ou em decadência, não é um dogma senão um procedimento, uma garantia, uma defesa necessária e legítima, porém como inevitavelmente tem sucedido com todo direito e seu dever correlativo, o preceito das reservas maçônicas já tem experimentado sua evolução nos tempos e segundo os países. A Maçonaria não tem preconceito de poderes, e nem admite em seu seio, pessoas que não tenham um mínimo de cultura que lhes permitam praticar os seus sentimentos e tenham uma profissão ou renda com que possam atender às necessidades dos seus familiares, fazer face às despesas da sociedade e socorros aos necessitados.
- A possibilidade de aperfeiçoar-se, de instruir-se, de disciplinar-se, de conviver com pessoas que, por suas palavras, por suas obras, podem constituir-se em exemplos; encontrar afetos fraternais em qualquer lugar em que se esteja dentro ou fora do país. Finalmente, a enorme satisfação de haver contribuído, mesmo em pequena parcela, para a obra moral e grandiosa levada a efeito pelos homens. A Maçonaria não considera possível o progresso senão na base de respeito à personalidade, à justiça social e a mais estreita solidariedade entre os homens. Ostenta o seu lema "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" com a abstenção das bandeiras políticas e religiosas. O segredo maçônico, que de má fé e caluniosamente tem se servido os seus inimigos para fazê-la suspeita entre os espíritos cândidos ou em decadência, não é um dogma senão um procedimento, uma garantia, uma defesa necessária e legítima, porém como inevitavelmente tem sucedido com todo direito e seu dever correlativo, o preceito das reservas maçônicas já tem experimentado sua evolução nos tempos e segundo os países. A Maçonaria não tem preconceito de poderes, e nem admite em seu seio, pessoas que não tenham um mínimo de cultura que lhes permitam praticar os seus sentimentos e tenham uma profissão ou renda com que possam atender às necessidades dos seus familiares, fazer face às despesas da sociedade e socorros aos necessitados.
A imortalidade da Alma
A alma é imortal, pois ela é feita à imagem e semelhança de Deus. Assim, minha parte divina, vinda de Deus é, obviamente, imortal.
Porém, a manutenção desta parte divina, em mim individualizada, autoconsciente, não é necessariamente eterna.
Como se define a imortalidade? É a manutenção da autoconsciência, individualizada eternamente.
E comum confundir-se a imortalidade do Espírito (Alma, Chispa Divina em nós), com a manutenção da autoconsciência individualizada eternamente, em todo ser humano. Esta manutenção da autoconsciência individualizada eternamente
A imortalidade - é aquilo que precisa ser conquistado na vida cotidiana, no aprendizado do mundo, nas experiências do plano físico.
O Alma que em mim habita, jamais morrerá. é eterna, é imortal, é imperecível. Porém, em determinadas circunstâncias, poderá perder sua autoconsciência individualizada e voltar ao GRANDE TODO, RESERVATÓRIO UNIVERSAL DE CHISPAS DIVINAS, - D E U S.
Nesta volta, neste retorno ao Grande Todo, de onde todos as almas emanaram, essa Chispa que aí retorna, não morre. Aí dilui-se entre outras inumeráveis Chispas Divinas; perde sua individualidade e, em outra oportunidade, irá animar outra personalidade, individualizando-se novamente, isto é, torna-se, de novo, um ser humano autoconsciente de sua existência.
A personalidade que perdeu sua Chispa Divina, por não se ter auto-desenvolvido, desaparece, morrerá, pois não conseguiu conquistar sua imortalidade. A personalidade morre, pois não chegou a se tomar urna personalidade autoconsciente eterna. Logo, imortalidade é a persistência eterna, da autoconsciência individualizada, que mantém de forma consciente, todas as experiências, todos os atos de aprendizado, realizados em múltiplas encarnações, desde sua individualização inicial, que ocorreu quando sucedeu-se o "MILAGRE DE NOS TORNARMOS HUMANOS".
Em síntese, a autoconsciência-individualizada só se eterniza, isto é, toma-se imortal, quando a Chispa Divina, o Cristo Interno em nós, absorve a personalidade, conscientemente, quando assim nos tomamos uma individualidade pura, em manifestação, no mundo físico.
Isto equivale a dizer: "EU (AUTO-CONSCIÊNCIA-INDIVIDUALIZADA) E O PAI SOMOS UM".
Isto é o mesmo que dizer que não mais a nossa mortal personalidade vive no mundo, e sim, a nossa imortal individualidade. Isto ocorre, no momento que, na linguagem iniciática, atingimos a nossa “INICIAÇÃO INTERNA”∆
*Fraternidade Rosacruciana
A Noção de Deus e do Espírito
Desde os tempos mais remotos o homem tem noção da Unidade de Deus e da Existência da Imortalidade da Alma, ou melhor, do Espírito.
Quando adorou o Sol ou a Lua, o Trovão ou o raio, o tronco ou o penhasco, a árvore ou a serpente, a ave ou a flor, adorou o Deus Único, objetivado na materialização destes símbolos.
Quando, porém colocou armas e utensílios, manjares e bebidas junto aos túmulos dos seus mortos, demonstrou a percepção de que o sopro divino, o Espírito que animara o corpo inerte, ali depositado, continuava a sua peregrinação no Mundo Invisível.
As Revelações, os Mistérios, os Cultos, os Conhecimentos, mais antigos confirmam estas verdades, de modo insofismável.
O pressentimento de que a existência do Universo e dos fenômenos que o revelam, são inexplicáveis sem uma causa primaria, levou-o à concepção de Deus, o Espírito Supremo, a Realidade Infinita, e a intuição de que o Espírito era independente da matéria, permitiu-lhe a certeza de que não se poderia extinguir com o corpo físico e daí a sua Imortalidade.
Os selvagens de todos os continentes, herdeiros direto do homem primitivo, manifestam idênticas convicções, reconhecidas por uma infinidade de etnólogos, entre os quais Eduardo Clodd, materialista intransigente e, só por este motivo uma testemunha de muito valor.
Os malaios, diz o conhecido etnólogo inglês, e bem assim, os groelandeses afirmam que o Espírito deixa o corpo durante o sono e durante a morte, um sono ainda maior. Os melanésios partilham da mesma crença e acrescentam que, quando um homem perde os sentidos, o seu Espírito parte para o outro Mundo, onde “vive quando morre “
Os ameríndios do Brasil tinham as mesmas idéias. Os xavantes comiam os filhos mortos, na esperança de unirem o seu Espírito ao Espírito da criança.
Muitas tribos do baixo Tocantins, narra Couto de Magalhães, enterram os seus mortos dentro da própria vivenda, afim de não se apartarem os Espíritos desses mortos. Muitos povos procediam o embalsamamento, a mumificação.
Os tupis-guaranis acreditavam em Espíritos sofredores, Espíritos perseguidores, Espíritos protetores, que os pajés evocavam antes dos grandes acontecimentos que podessem influir nos destinos da tribo.
Mas, não acreditavam, somente na Unidade de Deus, - Tupã - e na Imortalidade do Espírito – Angá - estavam certos da possibilidade de comunicarem-se com ele, mesmo depois de partir para essa região das montanhas azuis.
A cerimônia ritualística, que denominavam guayú, referida pelos próprios jesuítas, não permite a menor dúvida sobre o assunto.
As tradições toltecas, astecas, maias, incaicas, indianas, egípcias, gregas e romanas, os monumentos, ídolos, livros sagrados, todos os elementos, em suma, que podem ressuscitar as crenças do homem, desde a aurora da Terra, falam da Unidade de Deus da Existência e da Imortalidade do Espírito e suas comunicações.
Em Anahuac, no Yucatan, em Cusco, no Himalaia, Tebas, em Elêusis, em Delfos ou em Roma as sombras falam pela boca dos sacerdotes, em êxtase, ou das pitonisas, em transe.
Pitágoras colhe dos lábios da sua discípula Theocléa, sonâmbula, os ensinamentos que os gênios invisíveis lhe comunicam. Saul dialoga com o Espirito de Samuel. César recebe a visita de um demônio que lhe profetisa o assassinato, em pleno Senado, Apolônio de Tiana anuncia a morte de Domiciano, que lhe fora predita por uma entidade teúrgica. As sibilas das criptas romanas não só falam aos Espíritos desencarnados, como fazem aparecer os seus fantasmas. Porfiro e Proclo referem que as almas dos defuntos tornam-se visíveis nos Mistérios Órficos. Jesus invoca o Espírito Supremo e escreve na areia as suas respostas, como no caso da mulher adúltera.
Por meio de cantos, pancadas e danças rítmicas, conforme Hans Staden, “os pajés transformavam as mulheres em profetisas, que vaticinavam o futuro e o destino das respectivas tribos. “
Qual foi o primeiro nome dessa Arte ou dessa Ciência? Qual foi o primeiro nome dessa Religião-Sabedoria que permitiu ao pré-humano o intercâmbio com os planos invisíveis do Universo?
Revelação? Mistério? Taumaturgia? Esoterismo? Teurgia? Ocultismo? Magia? Hermetismo?
Infelizmente, não nos foram transmitidos os grunhidos, os gritos-sinais, as onomatopéias, as expressões primárias e rudimentares da linguagem humana.
Cada povo, cada geração, cada época, cada civilização, através o escoar dos séculos, deu-lhe o nome que o progresso, a sua mentalidade, a sua evolução o permitiu.
Mas, não façamos questão de nome. O nome é secundário. O nome é absolutamente supérfluo, porque essa Arte, essa Ciência, essa Religião-Sabedoria, apesar das suas várias denominações, dos seus vários aspectos, dos seus vários processos, foi sempre idêntica, foi sempre semelhante, visou pelo menos, à mesma finalidade, isto é, a cultura física,mental e física da espécie humana e o intercâmbio voluntário e consciente com os seres dos Mundos Hiperfísicos, estudemos, realizemos.
Aproximemo-nos o mais possível da Verdade, mas, sejamos tolerantes, indulgentes e fraternos só há um Deus. O Espírito existe e é imortal. Sobre estes dois pontos, pelo menos, estamos de pleno acordo. Pois bem, sem sairmos da órbita desta intuição divina, desta percepção espiritual, cumpramos o nosso dever, sigamos as pegadas dos que transcendem os conhecimentos comuns da humanidade e desta maneira, conseguem, voluntariamente e conscientemente, escalar as muralhas que nos separam desses Mundos Hiperfísicos.
*D M R - Gnose novembro 1937
Da Loja do Santo São João em Jerusalém
*Tradução José Filardo
Por Ed Halpaus
Por Ed Halpaus
“Oh… orai pela paz de Jerusalém; prosperarão aqueles que te amam. Haja paz dentro de teus muros, e abundância nos teus palácios. Por amor de meus irmãos e companheiros, eu te desejo prosperidade. Sim, porque é a casa do Senhor, nosso Deus, procurarei fazer-te bem “.Do Livro de Preces Comum.
Diz-se que todos os maçons vieram da Loja do São João Santo em Jerusalém. É muita coisa dizer que viemos de lá. Quando fui iniciado maçom, perguntei ao meu padrinho sobre esta Loja de São João em Jerusalém; eu queria saber mais sobre essa Loja. Meu novo amigo e irmão me disse que era apenas simbólico, e que não era real. Bem, é simbólico e aprender sobre alguns dos simbolismos associados a ela, de onde veio, é bastante divertido, mas também a torna mais real para mim em meu coração e mente.
A primeira referência ao São João em ritual na América pode ser encontrada no Monitor de Webb de 1797. No século XVIII, era bastante comum ver cartas entre as Lojas Maçônicas começar com a saudação: “Da Loja do Santo São João de Jerusalém, sob o nome distintivo de _______ Loja No. ______ ”
Uma questão interessante é quem era o Santo São João a que se refere a frase “a Loja do Santo São João?”
Um dos primeiros maçons franceses, de nome Bazot escreveu em um manual da Maçonaria francesa que era São João, o Esmoler. Este santo em particular foi canonizado santo pelas igrejas grega e romana, (católica). O pai dele São João era um rei de Chipre, e há duas datas designadas para os festivais deste Santo, 11 de novembro e 23 de janeiro .
No manual de Bezot, ele escreveu suas razões para pensar que este Santo era o patrono original da Maçonaria e, assim, o santo mencionado na Loja do Santo São João: “Ele deixou seu país e a esperança de um trono para ir a Jerusalém, a quem ele generosamente ajudou e assistiu os cavaleiros e peregrinos. Ele fundou um hospital e organizou uma fraternidade para assistir aos cristãos doentes e feridos, e prestar ajuda pecuniária aos peregrinos que visitavam o Santo Sepulcro. São João, que era digno de se tornar o patrono de uma sociedade cujo único objeto é a caridade, expôs sua vida mil vezes em prol da virtude. Nem a guerra, nem a peste, nem a fúria dos infiéis, podia impedir suas atividades de benevolência. Mas a morte, finalmente, o impediu no meio de seus trabalhos. No entanto, ele deixou o exemplo de suas virtudes aos Irmãos, que fizeram seu dever esforçar-se por imitá-las. Roma o canonizou com o nome de São João, o Esmoler ou São João de Jerusalém, e os Maçons – cujos templos, destruídos pelos bárbaros, que ele fez reconstruir – o selecionaram por unanimidade como seu patrono “. [i]
Embora isso seja interessante, não é certo; foi bem documentado que São João Batista era o santo padroeiro dos Maçons Operativos. Ele foi adotado como santo padroeiro da Maçonaria e, posteriormente, essa distinção foi compartilhada com São João Evangelista. Isto é demonstrado pelo fato de que a data de formação da Primeira Grande Loja em 1717 é 24 de Junho ; Dia de São João Batista.
Entretanto, São João Esmoler não deve ser esquecido entre os maçons, porque ele foi escolhido como o padroeiro da Ordem Maçônica dos Templários, e suas Comanderias, que são dedicados à sua honra por conta de sua caridade aos pobres, a quem ele chamava seus Mestres. Ele se referia a eles como seus mestres, porque ele lhes devia todo o serviço, e por conta do seu estabelecimento de hospitais para ajuda e ministério aos peregrinos no Oriente. [ii]
Antes de 1440, a Fraternidade Maçônica era conhecida pelo nome de Irmãos de João. É provável, por isso, que o nosso irmão, George Oliver D.D. cunhou o nome Maçonaria Joanita nome para descrever a Maçonaria como ela é praticada nos Estados Unidos, Irlanda e Escócia. As diferentes Lojas desses países e Grandes Jurisdições são dedicadas ao Santo São João, e em suas Lojas pode ser encontrado o símbolo do ponto com um círculo e duas linhas paralelas, que é tão familiar aos maçons nesses países. Assim, os três primeiros graus conferidos pelas Lojas Simbólicas nesses países são, por vezes, embora raramente agora, chamado de Maçonaria Joanita, porque essas Lojas são dedicadas a São João Batista e a São João Evangelista. [iii]
É interessante notar que após a formação da Primeira Grande Loja em 1717 os termos Lojas de São João, e Maçons de São João, eram aplicados a aquelas Lojas e maçons que pertenciam à Fraternidade antes da organização da Primeira Grande Loja, e quem não se filiaram à nova Grande Loja depois que ela foi inventada. Essas Lojas permaneceram principalmente Cristãs Trinitárias, enquanto a nova Grande Loja era não sectária. O nome de Lojas de São João ou Maçons de São João passaram a simbolizar o trabalho das Lojas antigas, onde significava um Maçom regular, mas não-reconhecido e não-filiado.
Há uma razão muito boa porque essa referência totalmente simbólica dizer que esta Loja do Santo São João está em Jerusalém. “Jerusalém tem, quando tomada simbolicamente, o significado de paz, descanso, [e] contentamento.” “O nome Jerusalém significa Cidade de Paz”. [iv]
Este simbolismo de paz é importante porque, quando consideramos que o primeiro grau representa a juventude, e o segundo representa a idade adulta, é preciso considerar que a paz não é, necessariamente, um atributo da juventude. Shakespeare refere-se à juventude flamejante [v] como a exuberância natural e entusiasmo da juventude. Pessoas jovens, em torno de 14 anos ou mais, são difíceis de gerenciar e elas estão em um período muito perigoso, moral e fisicamente. Isso é às vezes “adequadamente simbolizado pela condição do povo de Jerusalém no momento em que João Batista veio do deserto, vestido de pele e repreendendo as pessoas por seus pecados.”[vi]
Após da primeira “chama da juventude”[vii] ter começado a passar, o homem é trazido ao mundo onde precisa continuar a ganhar a vida para si mesmo. “Ele é colocado em contato com fatos concretos e frios, e logo descobre que a sua suposta sabedoria nada era senão a loucura habitual de juventude e da inexperiência.” Após vários anos de trabalho e aprendizagem, ele começa a se perguntar sobre os significados mais profundos da vida, do conhecimento e suas finalidades. Isso é simbólico de João Batista e seu ministério ao povo de Jerusalém, e representa o despertar da natureza moral do adulto.
A pesquisa posterior de uma forma de instrução é simbolicamente representado por São João Evangelista; ele representa o “impulso intuitivo” do eu superior, que pode ser chamado de despertar da natureza espiritual, que, eventualmente, direciona o homem para as portas da Loja Maçônica onde ele encontra paz, instrução e apoio.
Além de simbolicamente vir da Loja do Santo São João em Jerusalém, presume-se o candidato aos graus foi previamente preparado para ser iniciado maçom, “o candidato já é um maçom no sentido de que ele é um ‘construtor’ que deseja mais instrução técnica na arte de construir, e por isso é perfeitamente natural que ele venha para uma Escola de Instrução para o Ensino “,[viii] que é a Loja Maçônica.
“Orai para que Jerusalém possa ter paz e felicidade: Deixe aqueles que te amam a à tua paz ter ainda prosperidade. ” Salmo Métrico escocês [Salmo 1650 122:1
[i] Mackey’s Encyclopedia of Freemasonry – Clegg Edition Volume
[ii] ibid
[iii] A Dictionary of Freemasonry, by Robert Macoy, que inclui A Dictionary of Symbolical Masonry de George Oliver, D.D.
[iv] The Lost Key, by Prentiss Tucker
[v] Oh, que vergonha! Onde está teu rubor? Inferno revoltoso, se podes te amotinar nos ossos de uma matrona, para a flamejante juventude que a virtude seja como cera, e derreta em seu próprio fogo; não proclame vergonha quando o ardor compulsivo dá a investida, já que a própria geada tão ativamente queima e a razão é alcoviteira da vontade! Hamlet. Ato III. Cena. 4.
[vi] The Lost Key
[vii] “Porque Gin na verdade sóbria cruel fornece o combustível para a juventude ardente”. Noel Coward
[viii] The Lost Key
A Corda de Nós e a prática da solidariedade
*J-J .Bri:. da R:. L:. “Thélème” do Grand Orient de France.
Tradução José Antonio de Souza Filardo M.´. I .´.
Porque ter escolhido tratar o conceito de Solidariedade como virtude maçônica tendo como único objetivo a prática da fraternidade, “A virtude chamada solidariedade, dizia Leon Bourgeois, é a união voluntária e o devotamente recíproco dos homens.” “Nada durável se constrói sem solidariedade”.
A Cadeia de União designa a corda de nós representada ao redor das paredes do Templo. Esta corda é amarrada em entrelaços, a intervalos regulares ao redor da sala, chamados “laços de amor” em forma de oito (8), símbolo do infinito em matemática, que são em número de 12 e correspondem aos signos do zodíaco. Ela também figura sobre numerosas gravuras ilustrando cenas maçônicas ou bordada sobre acessórios de vestimenta como os aventais de mestres. Ela indica que somos todos os elos pertencentes à mesma corrente. Com os antigos pedreiros, ela era a ferramenta indispensável para calcular os ângulos, em maçonaria ela simboliza a cadeia de união. A Cadeia de União, segundo sua definição, liga e une.
O ritual maçônico comporta também uma Cadeia de União que consiste, ao fim de cada reunião, em formar um círculo fechado formado por todos os participantes da cerimônia, tomando as mãos entre si, o braço direito passado sob o braço esquerdo, a mão sem luvas.
Desde sua admissão na Ordem Maçônica, o novo iniciado é convidado a se tornar formar um elo desta Corrente, símbolo do vínculo entre o céu e a terra, símbolo da coesão da loja, e de fraternidade entre todos os seus membros, formado no início dos trabalhos, sua significação é, assim, idêntica, ela liga todos os elementos. Ela aproxima os corações ao mesmo tempo em que os corpos e simboliza a Universalidade da Ordem. É a comunhão dos espíritos que participam de uma mesma obra.
De todos os ritos, a Cadeia de União é, talvez, o mais importante, perfeitamente expresso em alguns versos “que vem do Passado e tende em direção ao Futuro”. A Cadeia de União, símbolo da coordenação de toda coletividade, de ação comum, de Solidariedade. É dada a oportunidade a nós, maçons, de refletir hoje mais que ontem, e ainda menos que amanhã sobre nossa prática da solidariedade e, sobretudo, nosso dever permanente de fraternidade.
A maçonaria é reconhecida por seu espírito de corpo e de solidariedade. O maçom não tem por dever, em todas as circunstâncias ajudar, esclarecer e proteger seu irmão, mesmo com o perigo de sua vida; os maçons prestam efetivamente o juramento de dar socorro e assistência a um irmão em necessidade. A maçonaria tem por dever estender a todos os membros da humanidade, os laços fraternais que unem os maçons sobre toda a superfície do globo. A solidariedade e a ajuda mútua serem foram em nossa Ordem as grandes regras que devem ser exercitadas com muito discernimento.
A prática desta virtude claramente evocada nos artigos 1, 2 e 3 da Constituição do Grande Oriente de França é um dos objetivos essenciais dos maçons. Em nível de Loja, eu diria que existe em nossa obediência um grande mal-entendido: eu gostaria de falar sobre o Irmão Hospitaleiro, cujo papel nem sempre é valorizado, e a tarefa reduzida a circular com o “Tronco da Viúva”. Colaborador direto do VM, ele deve conhecer a situação de cada um dos IIr.´. da loja e suas famílias. A ele cabe, à medida que tenha recolhido as informações sociais que lhe competem, orientar todos os IIr.´. que tenham necessidade de uma intervenção ou de um apoio. Com relação a isso, e sempre de acordo com seu VM, ele deve apontar sem demora os casos difíceis que ele não tenha podido resolver sozinho.
No interior de nossas lojas, esta solidariedade é exercida materialmente, graças aos fundos recolhidos pelo “Tronco do Hospitaleiro” ou “Tronco da Viúva” que o Ir.´. Hospitaleiro nos apresenta ao fim de cada Sessão. Caixas especiais previstas nas lojas para atender aos mais apertados, sempre que um irmão se encontra em uma situação material embaraçosa.
Existe outra forma de solidariedade, totalmente imaterial desta vez, que consiste em ajudar moralmente os irmãos e irmãs. Esta solidariedade é exercida no dia-a-dia, na busca da verdade e do aperfeiçoamento, a pesquisa iniciática e uma pesquisa coletiva. Ela é, ao mesmo tempo, o objetivo e a força da maçonaria.
Se ele quer assumir plenamente seu cargo, o Ir.´. Hospitaleiro deve tomar consciência da importância da tarefa que lhe foi confiada. Por sua ação, ele sublinha o caráter universal e filantrópico da Maçonaria, e é assim que ele figura em um bom lugar na lista de Oficiais de todas as Lojas do mundo inteiro, sem distinção de obediência.
Encontra-se sempre entre os maçons, homens devotados que tiveram o coração para se dedicar a socorrer os Irmãos menos afortunados, suas viúvas, seus órfãos; um bom número de homens, de irmãos e de irmãs que sacrificam uma parte de seu tempo, de seu lazer para praticar a virtude da solidariedade.
O universalismo maçônico não consiste apenas em um reconhecimento dos Maçons entre si, unidos pelos laços da Fraternidade e da Solidariedade. Ele não se expressa unicamente na conjuração dos Iniciados, assentados à mesa da Sabedoria, enquanto que os outros homens se contentariam com as migalhas.
O universalismo maçônico é o sentimento, assim como a solidariedade dos maçons com o conjunto da Fraternidade humana. Este sentimento de solidariedade, que o Maçom não pode elidir, mesmo dentro do quadro de sua pesquisa interior, deve se manifestar concretamente no mundo profano.
Enumerar as obras maçônicas de solidariedade em favor de maçons e do mundo profano inteiro exigiria toda uma compilação. Numerosas instituições de assistência foram organizadas, orfanatos e durante a guerra de 1870, ambulâncias.
Sob o impulso do Grande Oriente e particularmente da loja o Futuro, um Congresso para estudar a solidariedade universal. O Grande Oriente, há que se lembrar, é a origem da lei que criou a Previdência Social.
No mundo profano, “Maçonaria” é sinônimo da dependência dos homens, uns em relação aos outros, dependência que faz com que os indivíduos sejam parte de um mesmo todo. A solidariedade e a ajuda mútua sempre foram em nossa Ordem as grandes regras que devem ser exercitadas com muito discernimento.
“Centro da União”, a maçonaria universal tem por missão reunir as boas-vontades esparsas no universo. Os maçons do Grande Oriente de França dão à fraternidade que os une e a todos os outros maçons do mundo um senso profundo de respeito, de estima e de afeição recíprocas, superando as divergências de opinião ou as diferenças de condição social, na igualdade completa dos direitos de cada um.
Com freqüência caricatura-se esta solidariedade e denuncia-se o Grande Oriente de França como uma sociedade de serviços mútuos, assegurando o sucesso social de seus membros. Isto é esquecer que suas preocupações são essencialmente filosóficas e cívicas, e que sua filantropia é exercida muito mais no plano moral que no plano material. Com efeito, quando os candidatos à iniciação entram pela primeira vez na câmara negra de reflexão, antes de serem iniciados no grau de aprendiz, eles podem ler um aviso escrito na parede: “Se você aqui vem por interesse, saia imediatamente!”.
A Ordem não está a serviço de seus membros, mas a serviço de seu ideal.
Venerável Mestre e todos vocês meus Irmãos e Irmãs, o homem do mundo realizado sabe falar a cada um que lhe interesse; ele entra nos caminhos dos outros sem jamais os adotar, ele compreende tudo sem tudo desculpar; ele prefere cada um de seus amigos aos outros e consegue amar a todos igualmente. Assim é a Fraternidade e a Solidariedade. Um instante de verdadeira fraternidade pode ensinar muito mais que anos de egoísmo e de recusa ao outro. Trocar as Fraternidades plurais, aquelas onde se encontram e são vistas no mundo profano, por uma fraternidade bem singular, aquela que permite a nós, maçons, a busca da verdade e a prática da solidariedade.
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
O que é o Esoterismo?
António de Macedo
O substantivo «esoterismo» é de formação relativamente recente, por comparação com o adjectivo «esotérico», de origem grega, donde deriva.
O adjectivo eksôterikos, -ê, -on («exterior, destinado aos leigos, popular, exotérico») já existia em grego clássico, ao passo que o adjectivo esôterikos, -ê, -on («no interior, na intimidade, esotérico») surgiu na época helenística sob o Império romano. Diversos autores os utilizaram. Veremos dentro em pouco alguns exemplos.
Têm a sua origem, respectivamente, em eisô ou esô (como preposição significa «dentro de», como advérbio significa «dentro»), e eksô (como prep. significa «fora de», como adv. significa «fora»). Destas partículas gramaticais (preposição, advérbio) os gregos derivaram comparativos e superlativos, tal como no caso dos adjectivos. Em regra, o sufixo grego para o comparativo é -teros, e para o superlativo é -tatos. Por exemplo, o adjectivo kouphos, «leve», tem como comparativo kouphoteros, «mais leve», e como superlativo kouphotatos, «levíssimo». Do mesmo modo, do adv./prep. esô obtém-se o comp. esôteros, «mais interior», e o sup. esôtatos, «muito interior, interno, íntimo».
O adjectivo esôterikos deriva, portanto, do comparativo esôteros. Certos autores, porém, talvez mais imaginosos, propõem outra etimologia, baseada no verbo têrô que significa «observar, espiar; guardar, conservar». Assim, esô + têrô significaria qualquer coisa como «espiar por dentro e guardar no interior».
Platão (427-347 a. C.) no seu diálogo Alcibíades (aprox. 390 a. C.) utiliza a expressão ta esô no sentido de «as coisas interiores», e no diálogo Teeteto (aprox. 360 a. C.) utiliza ta eksô com o significado de «as coisas exteriores». Por sua vez Aristóteles (384-322 a. C.) utiliza o adjectivo eksôterikos na sua Ética a Nicómaco(I, 13), cerca do ano 350 a. C., para qualificar o que ele chama os «discursos exotéricos», ou seja, as suas obras de juventude, de fácil acesso a um público mais geral.
O primeiro testemunho do adjectivo esôterikos encontramo-lo em Luciano de Samosata (aprox. 120-180 d. C.) na sua obra satírica O Leilão das Vidas, § 26 (também chamado O Leilão das Escolas Filosóficas), composta cerca do ano 166 d. C.
Mais tarde, os adjectivos eksôterikos e esôterikos passaram a ser aplicados, por engano, aos ensinamentos de Aristóteles por Clemente de Alexandria (aprox. 150-215 d. C.) na sua obra Strômateis, composta cerca do ano 208 d. C.: «As pessoas da escola de Aristóteles diziam que, entre as suas obras, algumas são esotéricas e outras destinadas ao público ou exotéricas» (Strômateis, Livro V, cap. 9, 58). Clemente supunha que Aristóteles era um iniciado, e portanto seriam «esotéricos» os ensinamentos que facultava no seu Liceu a discípulos já instruídos. Na verdade era apenas um ensino oral e Aristóteles qualificava-o como «ensinamento acroamático», que quer dizer «transmitido oralmente», nada tendo de esotérico no sentido iniciático do termo.
O teólogo alexandrino Orígenes (aprox. 185-254 d. C. ), discípulo de Clemente, já usa ambos os adjectivos em conotação com o «oculto», ou melhor, o «iniciático»; contestando as críticas do anti-cristão Celso, diz Orígenes: «Chamar oculta à nossa doutrina é totalmente absurdo. E de resto, que haja certos pontos, nela, para além do exotérico e que portanto não chegam aos ouvidos do vulgo, não é coisa exclusiva do Cristianismo, pois também entre os filósofos era corrente haver umas doutrinas exotéricas, e outras esotéricas. Assim, havia indivíduos que de Pitágoras só sabiam “o que ele disse” por intermédio de terceiros; ao passo que outros eram secretamente iniciados em doutrinas que não deviam chegar a ouvidos profanos e ainda não purificados» (Contra Celsum, Livro I, 7).
O termo «esotérico» começou a ser usado como substantivo a partir de Jâmblico (aprox. 240-330 d. C.), filósofo e místico neoplatónico que se refere aos discípulos da escola pitagórica nos seguintes termos: «Estes, se tivessem sido julgados dignos de participar nos ensinamentos graças ao seu modo de vida e à sua civilidade, após um silêncio de cinco anos, tornavam-se daí em diante esotéricos, eram ouvintes de Pitágoras, usavam vestes de linho e tinham direito a vê-lo» (Vita Pythagorica, cap. 17, 72).
O conceito de «esoterismo» é de criação muito mais recente. Johann Gottfried Herder (1744-1803), que se opôs ao racionalismo Iluminista da sua época, foi o primeiro autor a utilizar a expressão esoterische Wissenschaften («ciências esotéricas»), referenciável no tomo XV das suas Sämtliche Werke, e o substantivo l’ésotérisme surgiu pela primeira vez na obra Histoire critique du gnosticisme et de ses influences (1828), de Jacques Matter. Na sequência, deve-se ao ocultista e cabalista Eliphas Lévi (1810-1875) a vulgarização dos termos «esoterismo» e «ocultismo» (este último na sua acepção moderna e mais lata de corpus de «ciências ocultas», diferente da Occulta Philosophia, ou Magia, de Agrippa, por exemplo). A partir de então o termo adquiriu uma voga crescente, sobretudo depois que Helena P. Blsvatsky, A. P. Sinnett, Annie Besant, C. W. Leadbeater, etc., da corrente teosofista da Sociedade Teosófica popularizaram o conceito, desde o último quartel do século xix e ao longo dos inícios do século xx.
Paralelamente, certos autores começaram a encarar o estudo do esoterismo de um ponto de vista mais académico, não se considerando, eles mesmos, «esotéricos», mas investigadores quer da história quer das ideias de determinadas correntes espirituais, místicas ou ocultas. Entre estes contam-se por exemplo, nos finais do século xix, George R. S. Mead e Arthur Edward Waite, cujos trabalhos, apesar de tudo, ainda se encontram a meio-caminho entre o «discurso esotérico» e a pesquisa universitária. No primeiro quartel do século xx, Max Heindel (1865-1919) estabeleceu a distinção técnica entre «o oculto» e «o místico», e, embora inserido numa específica corrente esotérica, deu forma consistente, nas suas obras, quer à vertente mística quer à vertente oculta do esoterismo. Por sua vez Rudolf Steiner (1861-1925), igualmente inserido numa corrente esotérica bem definida, abordou o esoterismo segundo um duplo enquadramento, ocultista e científico. René Guénon (1886-1951) trabalhou o esoterismo, genericamente, segundo uma perspectiva mais filosófica do que histórico-crítica, tendo o cuidado de distinguir entre o esoterismo cristão, o islâmico e o védico; todavia, o grande impulso para o estudo do esoterismo de um ponto de vista de investigação académica surgiu a partir de 1928, com a tese de Auguste Viatte sobre o Iluminismo, seguindo-se-lhe as pesquisas e os trabalhos de Will-Erich Peuckert sobre a pansofia e o rosacrucianismo, de Lynn Thorndike sobre a história da magia, da Prof.ª Frances A. Yates sobre o Iluminismo rosacruz e o esoterismo renascentista, etc., devendo-se a esta última o principal estímulo para uma pesquisa universitária, rigorosa, incidindo sobre o «território esotérico», o que fez alterar o respectivo panorama investigacional a partir dos anos 60 e 70 do século xx. O prof. Antoine Faivre, mais recentemente, chama a atenção para os estudos de Ernest Lee Tuveson sobre o hermetismo na literatura anglo-saxónica dos séculos xviii e xix, e de Massimo Introvigne sobre os movimentos «mágicos» dos séculos xix e xx, sobretudo pelo facto de proporem abordagens novas, interdisciplinares.
Actualmente, é já bastante vasto o leque de autores que estudam o esoterismo em ambiente de investigação académica, tendo-se tornado consensual a designação de «esoterólogos» para alguns desses investigadores, o que pressupõe uma ciência da Esoterologia que está a ter acolhimento nos curricula de algumas Universidades. Nem todos coincidem, porém, nas suas posições e definições do campo investigacional do «esoterismo», podendo de certo modo, e sem tentar uma conciliação entre os diferentes autores, dizer-se que existem vários «esoterismos».
Por amor à brevidade, limitar-me-ei a salientar alguns esoterólogos contemporâneos cujos trabalhos são de capital relevância para a compreensão do «objecto temático» do esoterismo:
Prof. Antoine Faivre — Director de Estudos da École Pratique des Hautes Études - Section Sciences Religieuses (Sorbonne, França);
Dr. Wouter J. Hanegraaff — Professor de História da Filosofia Hermética e Correntes Relacionadas - Faculdade de Humanidades da Universidade de Amesterdão (Holanda) e orientador de pesquisas sobre História das Correntes Esotéricas - Departamento de Ciência das Religiões da Universidade de Utrecht (Holanda);
Prof. Pierre A. Riffard — Investigador de Metodologia de Esoterismo e professor Catedrático na Université de Novakchott (Mauritânia);
Prof. Massimo Introvigne — Historiador das Correntes Esotéricas Contemporâneas e Director do Centro Studi sulle Nuove Religioni, Turim (Itália);
Prof. Roland Edighoffer — Professor emérito na Université de Paris III (Sorbonne Nouvelle, França);
Prof. José Manuel Anes — Grão-Mestre da GLRP/LP (Maçonaria Regular de Portugal) e professor de História das Correntes Esotéricas no Instituto de Sociologia e Etnologia das Religiões da Universidade Nova de Lisboa (Portugal).
Em termos muito simplificados podemos dizer que duas grandes tendências gerais se perfilam entre estes autores: uma, poder-se-á designá-la por «universalismo pró-esotérico», e outra, por «estruturação histórico-crítica». O prof. Wouter J. Hanegraaff ainda considera uma terceira tendência a que chama «formas de anti-esoterismo», que, por não serem indispensáveis neste breve resumo, me abstenho de considerar aqui.
Na linha do «universalismo pró-esotérico» incluem-se os trabalhos e a actividade universitária de professores como Pierre A. Riffard e José M. Anes, por exemplo. Segundo Riffard, o esoterismo tanto existe no Ocidente como no Oriente, desde a pré-história até aos nossos dias, e tem a ver com o mistério da existência tal como é percebido pelos seres humanos; além disso, Riffard critica certos investigadores académicos que procuram estudar o esoterismo «de fora», como se pudesse existir um «fenómeno cultural esotérico» independentemente do esoterismo em si. Segundo Riffard, a essência do esoterismo é, ela mesma, «esotérica»; na sua monumental obra de perto de 400 páginas, L’ésotérisme, Riffard interroga-se: «Pode alguém ser um esoterólogo sem ser, ao mesmo tempo, um esotérico?» De acordo com este ponto de vista, elabora uma descrição do esoterismo segundo as oito invariáveis que, em sua óptica, o caracterizam:
(1) A impessoalidade do autor; (2) A oposição esotérico/exotérico; (3) A noção de «o subtil» como mediador entre o espírito e a matéria; (4) Analogias e correspondências; (5) A importância dos números; (6) As ciências ocultas; (7) As artes ocultas; (8) A Iniciação.
Uma posição totalmente diferente é assumida pelos profs. Antoine Faivre e Wouter J. Hanegraaff, por exemplo, defensores da linha «histórico-crítica». Segundo Faivre não se deve falar em «esoterismo» mas em «esoterismos», ou melhor, em «correntes esotéricas e místicas», uma vez que ele considera que não há um esoterismo em si, mas apenas correntes, autores, textos, etc. Para que o esoterismo constitua uma especialidade académica reconhecida pela comunidade científica, Antoine Faivre define-o do seguinte modo, de acordo com a Direcção de Estudos da «Section des Sciences Religieuses» (Sorbonne), que ele mesmo integra com outros docentes: um corpus de textos que constituem a expressão dum certo número de correntes espirituais, na história Ocidental moderna e contemporânea, ligadas entre si por um «ar de família», bem como uma «forma de pensamento» que subjaz a essas correntes. Considerado de forma extensiva, esse corpus estende-se da Antiguidade tardia até hoje; considerado de forma limitativa, abarca um período que vai do Renascimento até à época contemporânea.
Isto implica que, ao contrário das teses «universalistas», ficam excluídos do conceito de esoterismo alguns significados que Antoine Faivre enumera de modo a deixar bem claro o que, de acordo com o seu critério, o esoterismo «não é»: (a) Um termo genérico, mais ou menos vago, que serve para os editores e livreiros classificarem colecções de livros ou rotularem prateleiras, e onde cabem o paranormal, as ciências ocultas, as tradições sapienciais exóticas, etc.; (b) Um termo que evoca a ideia de ensinamentos secretos e uma «disciplina do arcano», com diferenciação entre iniciados e profanos; (c) Um termo aplicável a um certo número de processos mais experienciais que racionais, e que se aproxima da ideia de Gnose no sentido universal, propondo-se atingir, mediante certas técnicas experienciais, o «Centro do Ser» (Deus, o Homem, a Natureza, etc.), não se excluindo, desta concepção, uma atitude filosófica que advoga a «unidade transcendente» de todas as religiões e tradições.
Em contrapartida, aquela «forma de pensamento» que Faivre considera como própria do conceito de esoterismo distinguir-se-ia por seis características ou componentes fundamentais, das quais quatro são «intrínsecas», no sentido em que a sua presença simultânea é uma condição necessária e suficiente para que um discurso seja identificado como esotérico, e duas são «secundárias» ou «extrínsecas», e cuja presença pode ou não coexistir ao lado das outras quatro. São elas:
(1) A ideia de correspondência («O que é em cima é como o que é em baixo», segundo a Tábua da Esmeralda ) (2) A Natureza viva (o Cosmos não é apenas complexo, plural, hierarquizado, etc.: é sobretudo uma Grande Entidade Cósmica viva); (3) Imaginação e mediadores (a imaginação é a faculdade superior de penetrar nos códigos que se ocultam nos mediadores, os quais, por sua vez, são os rituais, as imagens do Tarot, as mandalas, etc., etc., símbolos carregados de polissemia cuja decifração cognitiva permite o acesso ao mundus imaginalis definido por Henri Corbin); (4) A experiência da transmutação (percurso espiritual simbolizado alquimicamente por três graus: nigredo, ou obra em negro, morte, decapitação; albedo, ou obra elevada ao branco; e rubedo, ou obra elevada ao vermelho, pedra filosofal); (5) A prática da concordância (prática que visa descobrir os denominadores comuns a duas ou mais tradições aparentemente distintas, na expectativa de que, mediante esse estudo comparativo, se alcance o «filão escondido» que levaria à «Tradição primordial», da qual todas as tradições e/ou religiões concretas seriam apenas os «galhos» visíveis da grande «árvore» perene e oculta); (6) A transmissão (conjunto de «canais de filiação» pelos quais se processa a continuidade de mestre a discípulo, ou de iniciação no interior duma sociedade, no pressuposto de que ninguém se pode iniciar sozinho e que o «segundo nascimento» passa obrigatoriamente por esta disciplina).
Outros autores simplificam a questão considerando que o esoterismo se constituiu no Ocidente como disciplina autónoma, a pouco e pouco, a partir de finais da Idade Média, porque a teologia e a ciência absorveram certos temas que o integravam, eliminando outros que, por serem mais inquietantes ou pertencerem ao imaginário mais perturbador, acabaram, com essa expulsão ou mesmo perseguição, por integrar as correntes esotéricas ocidentais, sobretudo a partir do Renascimento. No Oriente , pelo contrário, a teologia contém os temas esotéricos e por conseguinte o esoterismo não precisa de se constituir como disciplina aparte. Segundo este ponto de vista, pode-se falar em esoterismo associado às varias escolas e tendências que se desenvolveram no Ocidente na linha dos ensinamentos de Marsilio Ficino (1433-1499), de Pico della Mirandola (1463-1494) e de Johannes Reuchlin (1455-1522), esoterismo esse que floresceu, sobretudo, na Europa e nos séculos xvi e xvii. A sua principal característica é a rejeição da linguagem comunicativa como expressão da verdade, e a pretensão de que é nas camadas não-semânticas da linguagem que se oculta a antiga Sabedoria. Em extensão a este conceito, não se pode ignorar a importância do pensamento judaico e dos textos hebreus na Europa, cujo torat hasod (conhecimento esotérico) constituiu um corpo específico de tradições secretas na cultura judaica, no centro do qual, e a partir do século xiii, se encontra a Cabala, que teve uma influência de indiscutível relevo no esoterismo cristão.
Algumas referências:
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RIFFARD, Pierre A., Dicionário de Esoterismo, Editorial Teorema, Lisboa 1994.
RIFFARD, Pierre A., «The Esoteric Method», in Western Esotericism and the Science of Religion, eds. Antoine Faivre & Wouter J. Hanegraaff, Peeters, Leuven 1998.
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